Mineradora australiana identifica alto teor de terras raras em novo projeto de exploração no Sul de MG
Mineradora australiana identifica alto teor de terras raras em novo projeto de exploração A mineradora australiana Power Minerals anunciou que encontrou alto ...
Mineradora australiana identifica alto teor de terras raras em novo projeto de exploração A mineradora australiana Power Minerals anunciou que encontrou alto teor de terras raras em seu novo projeto de exploração no Morro do Ferro, em Poços de Caldas (MG). Uma amostra de 1,2 metro apresentou concentração de 40,5% de óxidos totais de terras raras (TREO). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram O mesmo furo de sondagem, identificado como MFSR-057 e que tem 111 metros de profundidade, registrou teor médio de 8,25% de TREO, sendo que 51 metros tiveram média de 15,42% e outros 15 metros tiveram teor de 20,42%. 🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos, fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. Os óxidos totais de terras raras (TREO na sigla em inglês) representam a medida da concentração destes elementos. Power Minerals encontra alto teor de terras raras em novo projeto de exploração no Sul de Minas Power Minerals/Divulgação Os resultados das pesquisas também apontam a presença de elementos terras raras magnéticos — neodímio, praseodímio, terbo e dispróseo — na concentração de 7,73%, o que representa até 20% do total de terras raras das amostras. Esses elementos têm aplicações industriais e são utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, sendo os que têm maior valor de mercado. O projeto do Morro do Ferro foi adquirido pela Power Minerals em abril de 2026 por R$ 80 milhões. Desde então, a mineradora realiza uma campanha de sondagem para confirmar e aprofundar os dados de pesquisas anteriores. "A gente tem resultados excelentes, muito acima dos esperados. Essa nova perspectiva que se apresenta com os resultados de sondagem eleva a perspectiva de produção de terras raras, eleva o teor e também eleva o volume, porque não só são teores acima do esperado, mas também no intervalo de 120 metros de profundidade. As sondagens anteriores chegavam até 70, 80 metros nos teores mais profundos, então, isso é muito animador porque a gente tem tanto maior teor quanto maior volume e isso, por consequência, gera o maior potencial de produção de terras-raras no projeto", afirma o diretor de Novos Negócios da Power Minerals, Luiz Curado. LEIA TAMBÉM: Investimentos de empresas estrangeiras colocam o Sul de MG na disputa global por terras raras 'É uma mina no quintal': terras raras a 300 m de casas dividem opinião de moradores de Poços de Caldas Projeto de terras raras comprado em MG está em licenciamento e tem parte da produção negociada com empresa sul-coreana De acordo com o executivo da Power, os altos teores identificados podem permitir uma mineração de menor volume em comparação com depósitos de concentrações mais baixas, o que resulta em menos impactos. "Ao invés de fazer uma lavra de 5,8 milhões de toneladas [de material com terras raras], o teor alto nos permite fazer uma lavra de 300, 500 mil toneladas, por exemplo. Isso significa menos impacto ambiental, menos utilização de água, menos área impactada, menos poeira na região e, por consequência, menos equipamento, menos utilização de insumos para fazer o refino de terras raras. Então, toda essa característica de altíssimo teor favorece bastante que a gente consiga avançar rápido no projeto", explica Curado. Grupo australiano define alvo de exploração no 'Morro do Ferro' com até 10,7 milhões de toneladas de terras raras em MG Divulgação / Power Minerals Primeira estimativa de recursos deve sair em 2027 A empresa ainda precisa concluir etapas de pesquisa para determinar a quantidade de minério e a distribuição dos elementos no depósito. Os dados divulgados são de exploração e não representam uma estimativa de recursos ou reservas minerais. De acordo com Curado, a Power Minerals já apresentou um alvo de exploração (Exploration Target) de aproximadamente 9 milhões de toneladas, com teor de 8%. O indicador aponta uma perspectiva inicial de volume e concentração, mas não equivale a uma estimativa de recursos minerais certificada. A expectativa da empresa é divulgar a primeira estimativa de recursos no início de 2027, seguindo o código JORC, padrão australiano utilizado para a divulgação de informações sobre exploração, recursos e reservas minerais. Inicialmente, a pesquisa previa 4 mil metros de sondagem, com uma sonda em operação durante um turno. Com os novos resultados, a companhia pretende ampliar o programa para 8,5 mil metros, contratar uma terceira sonda e passar a trabalhar em dois turnos. Segundo o representante da Power, a ampliação busca investigar a continuidade da mineralização tanto em profundidade quanto na extensão lateral do depósito. A transformação do depósito em uma operação comercial ainda depende de uma série de etapas, entre elas a definição dos recursos minerais, os estudos de processamento, a avaliação econômica e o licenciamento ambiental. Extração dos materiais O Brasil possui as maiores reservas de terras raras do mundo depois da China Getty Images Os novos resultados de sondagem representam um avanço no conhecimento geológico do Morro do Ferro, mas a viabilidade econômica da exploração ainda depende de uma série de etapas, entre elas a definição com maior precisão do tamanho do depósito, os estudos de processamento, a avaliação econômica e o licenciamento ambiental. A expectativa é concluir um estudo de escopo até meados de 2027. A partir dele, a companhia pretende avançar para um estudo de pré-viabilidade, previsto para o fim do mesmo ano. A decisão de investimento para construir uma planta de processamento poderá ocorrer no fim de 2028, a depender dos resultados. Por isso, a empresa desenvolve estudos de metalurgia e mineralurgia para avaliar como os elementos poderão ser separados e recuperados. "Vai ser um processamento seguindo o melhor padrão de governança, de sustentabilidade. Um processamento que não gera barragem, um processamento ambientalmente adequado à região, com reutilização de água para que a gente consiga de fato agregar dentro da cadeia e não gerar incômodo dentro da comunidade de Poços de Caldas", afirmou Curado. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas